terça-feira, setembro 06, 2005

“Oh my God! Charlotte said fuck!!”

Disse o meu primeiro palavrão quando tinha onze anos, e por o ter feito numa sala repleta de familiares e amigos enquanto discutia com a mãe, levei um belo de um tabefe como reprimenda. Pela humilhação ou pelos olhares escondi-me no quarto mas jurei que nunca mais voltava a proferir palavras tão feias e absurdas, aliás fiz questão de participar desta decisão ao padre que um ano mais tarde nos acompanhou as reuniões de preparação para o crisma, o qual resolveu citar-me como exemplo e (escusado será dizer que) tal facto arruinou a minha reputação por mais de meio ano.
Hoje continuo a permanecer firme ao hábito de não pensar e de não dizer. Quando me irrito recorro a desabafos: “Ahgr”, “Ohhhhhhhhh”, “aaaaiii” ou solto palavras que soam a qualquer coisa como: “raios”,“bolas”, mas nunca me sinto com vontade de abrir a boca para dizer um redondo “car****” ou um tradicional “fod****”.
Provavelmente são marcas da educação rígida que levei enquanto garota, e que nem os rebeldes e cruéis colegas de faculdade conseguiram demover, mas prefiro-a ao desgoverno da língua dos miúdos que ouço todos os dias no túnel do metro.

“I’m telling you…Charlotte said fuck!!F-U-C-K, fuck.”