quinta-feira, setembro 01, 2005

Café, açúcar e chilli

Deslizei da cadeira, coloquei os óculos escuros no rosto e dirigi-me para a porta enquanto procurava as chaves do carro. Ao meu lado a Amanda estudava atentamente algumas pessoas que preenchiam o café, estranhei o comportamento, mas só quando entrámos no carro e fechámos as portas é que eu lhe perguntei: “Sim? O que foi aquilo?”, “Não tiveste a ligeira sensação de que todos se calaram quando nos levantámos?” questionou ela mal acreditando no que acabava de insinuar. “Oh querida, alguém nos reconheceu de alguma revista!”, argumentei eu divertida. “Oh! Achas que alguém ouviu a nossa conversa? Teria sido embaraçoso” comentou desiludida e já visivelmente envergonhada.
Eu enfiei as chaves na ignição, liguei o carro e de seguida tentei explicar-lhe: “Estás a ouvir este barulho? Ora, se eu baixar o tom da minha voz para duas notas abaixo tu consegues ouvir-me a dizer “Vai-te l*x*r”, “Quê?” perguntou ela. Eu larguei o acelerador, repeti o exemplo e acrescentei encantada: “Alguns olharam-te para as pernas, outros olharam-me para o peito, mas garanto que todos nos olharam com inveja. Admite-o!”