sexta-feira, setembro 30, 2005

Sugestão repetida

Encostada sobre o balcão da cozinha, continuei a mexer a sopa enquanto ouvia o Pedro queixar-se desalentado “Tenho que passar no CCB o mais rápido possível!”, “vais ver a exposição World Press Photo?” perguntei-lhe a sorrir, “claro! Mas tenho de fazê-lo o mais rápido possível, já que, o povo português sofre de um incómodo interesse cultural e quando surge um evento fortemente publicitado nos media, toda a massa se desloca a par dos microfones.”

Por favor, não dê ouvidos ao sarcasmo do Pedro! Saia de casa, compre o jornal num quiosque da berma, abasteça-se de uma pequena garrafa de água e dê um pulinho ao CCB para apreciar a exposição da moda ou para dar uma vistinha de olhos nas restantes salas do espaço. Vai ver que vale a pena.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Lost in Fairy Tales

O livro preferido de Sofia Coppola é “Lolita” por V. Nabokov. Nota-se muito?

Beatriz Bonita

Aos vinte anos, parecia uma mulher de beleza pueril. Alta, magra, de formas serenas, o cabelo encaracolado em tom de chocolate que soltava numa perfeita cabeleira rebelde sobre os ombros, jeans justos de garota provocadora e cores…muitas cores a enfeitar-lhe o corpo bronzeado.
Sentou-se na cadeira, acendeu um cigarro, passou as mãos nos caracóis e pediu-me de olhar desalentado “um bilhete para o aniversário do Lux. Por favor! Eu quero tanto ir…faço qualquer coisa!”….E ela podia pedir tudo, podia pedir tudo a quem quisesse, mas pedia tão pouco…

Agradecimentos e sorrisos

“Há muitas Marias na Terra”, mas nenhuma tão amável como aquela que procura “lugar ao sol” de Londres. Obrigada.

domingo, setembro 25, 2005

Vinte de Outubro

Quero felicitar a editora Bertrand pela escolha do dia 20 de Outubro, também conhecido como dia dos meus anos, como data lançamento do novo livro de Dan Brown (o qual respeito, mas não aprecio). Uma excelente opção, indubitavelmente!

My Funny Valentine

My Funny Valentine
Sweet Comic Valentine
You Make Me Smile With My Heart
You're Looks Are Laughable,
Unphotographable
Yet You're My Favorite Work Of Art
Is Your FigureLess Than Greek
Is Your Mouth A Little Weak
When You Open It To Speak
Are You Smart
Don't Change A Hair For Me
Not If You Care For Me
Stay Little Valentine Stay
Each Day Is Valentine's Day

My Funny Valentine - Chet Baker

sábado, setembro 24, 2005

Fernando Távora

Aquilo que vos vou confessar poderá parecer heresia, ironia ou rebeldia, mas a vontade de dizê-lo tem salpicado estas minhas últimas semanas e como tal, cá vamos: “Eu não aprecio a obra de Fernando Távora”. Claro que depois de tão grande despautério confesso hão-de aparecer meia dúzia de curiosos a perguntar (com muita razão) “que é que a menina percebe do assunto?” e por essa altura compete-me responder arrogante e sem grande discurso “percebo o suficiente!”.

Agora que estamos todos esclarecidos sobre o tópico tratado (e por favor poupem-me aos mails revoltados) aqui deixo uma sugestão aos interessados:
"A Ordem dos Arquitectos, está desde do início do ano a preparar uma série de eventos para assinalar as Comemorações do Dia Mundial da Arquitectura (…)A festa I LOVE TÁVORA no final do ano pretende constituir-se como um espaço de homenagem colectiva. Para esta homenagem contamos com o contributo de todos os associados para a recolha e envio de material sobre o Arquitecto Fernando Távora(…)Até ao próximo dia 15 de Outubro será possível fazer chegar à OASRN (via correio ou e-mail), toda esta informação, contribuindo assim para esta homenagem."
Mais informações aqui

Post dedicado

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Milton Greene

De sorriso ténue e expressão serena no rosto agradeço aos novos links, ás recentes referências e aos deliciosos mails dos últimos dias. Estar na blogoesfera é agradável e com vizinhos como estes…um verdadeiro doce!

sexta-feira, setembro 23, 2005

Milfolhas

Não sei se foi erro da senhora simpática que gere o quiosque ali na esquina, mas a verdade é que o meu DN de hoje trouxe três cadernos de classificados. Primeiro chateei-me com a dificuldade em dobrar o jornal, depois aborreci-me com o volume do “embrulho”, por fim, entristeci com as páginas desnecessárias que joguei na pilha da reciclagem…

quinta-feira, setembro 22, 2005

Toujours le même film...

"A menina para aprender a falar francês correctamente tem que ultrapassar essas conjugações verbais tipo Tarzan! Está-me a entender?"

segunda-feira, setembro 19, 2005

My Summer "with" love

Tons vermelho rosados mancham o cenário verde de uma colina idílica. Tons rosa prateados enfeitam as pálpebras de olhos mar curiosos…Todo o pormenor na imagem é trabalhado ao ínfimo detalhe e no final, a ideia que transparece, é de uma beleza, um encanto e uma inocência demasiado desconcertados a um mundo extra “My Summer of Love”.

Agradecimentos especiais ao Gustavo cujo texto de dia oito de Setembro me influenciou na escolha deste belíssimo dvd.

CC

Este blog é extremamente fabuloso, e este "dossier" é verdadeiramente escandaloso!

O desprazer de ter um blog

No segundo jantar de comemoração aos anos do Bernardo, a Mafalda virou-se para mim num ímpeto e perguntou divertida “Então? Sempre lhe ofereceram a panela?”, “Não, eu consegui convencer a Amanda e acabámos por lhe oferecer um livro de fotografia e um guia de Nova Iorque…Mas como é que sabes da história da panela?” perguntei-lhe um pouco incomodada, “Pelo blog!” respondeu ela com naturalidade enquanto enfiava uma garfada de massa na boca.
A Maria tem outro blog?” perguntou o Bernardo com um esgar de sorriso trocista, “tenho, mas não é nada comparado ao nosso…é leve, menos pretensioso!” disse-lhes já sem pinta de paciência, “E quando tencionavas dizer-me?” perguntou o Bernardo ainda a sorrir sarcástico, “Olha! Nunca! Obrigada pela indiscrição Mafaldinha”.

sábado, setembro 17, 2005

Heart - Magic Man

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Cold late night so long ago
When I was not so strong you know
A pretty man came to me
Never seen eyes so blue
I could not run away
It seemed we’d seen each other in a dream
It seemed like he knew me
He looked right through me
Come on home, girl he said with a smile
You don’t have to love me yet
Let’s get high awhile
But try to understand
Try to understand
Try try try to understand
I’m a magic man.

Winter nights we sang in tune
Played inside the months of moon
Never think of never
Let this spell last forever
Summer over passed to fall
Tried to realize it all
Mama says she’s worried
Growing up in a hurry

Come on home, girl mama cried on the phone
Too soon to lose my baby yet my girl should be at home!
But try to understand, try to understand
Try try try to understand
He’s a magic man, mama
He’s a magic man

Come on home, girl he said with a smile
I cast my spell of love on you a woman from a child!
But try to understand, try to understandI
’m a magic man!


In Banda sonora de "The Virgin Suicides"

sexta-feira, setembro 16, 2005

The Morning Dance

Andre de Dienes, Marilyn Monroe, The Morning Dance 1953

quinta-feira, setembro 15, 2005

Sketch/quotidiano

“Na minha faculdade a maioria do corpo docente é de esquerda, os alunos não, os alunos são quase todos de direita” disse o João enquanto pegava num copo de chá gelado e esboçava um largo gesto de tchim-tchim
“Consegues explicá-lo?” perguntei-lhe de sobrancelha levantada.
“Não! Até porque nas conversas que temos no bar acabamos sempre por ouvir coisas do tipo: Ai és de direita, a sério? Nunca pensei…e és católico? Que estranho…” acrescentou ele ao mesmo tempo que fazia uma série de caretas divertidas e concluía “Até parece que Deus é o Diabo”

Muitas flores para a menina dos anos!

Parabéns á BSC, não por um, dois, três anos de blog, não por um post belíssimo (disso tem ela todos os dias), mas por mais um ano de vida bem vivida.

Podmania

From the Boston Globe: "Now that so many of us are listening to music out in public - sometimes with a cellphone clamped to one ear - or playing video games or just enjoying the silence beneath a pair of noise-blocking headphones, will we ever talk to each other again?"
Ninguém me pode roubar o prazer de escolher a minha música, ouvi-la enquanto folheio o jornal na carruagem do metro pode até contribuir para uma alienação em sociedade, mas sinceramente nunca acreditei em fairy tales e esperar encontrar alguém interessante no banquinho “ao lado” parece-me cada vez mais improvável.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Girlstuff

Esticar o cabelo enquanto seco as unhas dos pés, correr pela casa com uma mola encavalitada em cada ponto cardeal da cabeça para atender o telefone, passar a ferro o top de folhos cor-de-rosa, limpar as botas com um lenço de papel porque não há tempo para mais, pintar as pestanas, tentar não borrar a pálpebra com o eyeliner, correr novamente para o telefone (ai não, é o telemóvel), despir o top de folhos (porque afinal este fica mal com os jeans debotados), pegar o top doirado (muito mais glamour, sim sinhor), tirar finalmente o algodão dos pés, acabar de esticar o cabelo, procurar as chaves (onde estão vocês minhas malditas?), desligar a luz da casa de banho, ligar ao Bernardo (que está atrasado), despir a roupa toda porque o soutien não condiz com a string, correr os estores, escrever na agenda a morada do restaurante, passar gloss nos lábios, espalhar perfume nos pulsos…e sair! Sair que já estou mesmo em cima da hora! Ai não, não, esqueci-me das pulseiras…Aiii…”Oh querida estou quase a sair! Ah olha, vai buscar primeiro o Bernardo que eu esqueci-me onde enfiei a carteira…”
Estou um bocadinho farta de tentar parecer uma barbie! Esta rotina começa a pesar e o meu espírito fútil-frutil está a dar as últimas…Portanto, se as inglesas “com cabelo de pêlo de rato, unhas maltratadas e coxas flácidas” conseguem engatar bifes altos, loiros e espadaúdos, eu também consigo…e nem preciso de passar por tamanho tormento!

Parabéns Bernardo

terça-feira, setembro 13, 2005

Preliminares para o aniversário do Bê

A Amanda está obcecada com a ideia de oferecer uma panela ao Bernardo, eu como amiga de ambos tenho aconselhado contenção e bom senso mas ela resolveu não me ouvir e parece-me que hoje vai fazer a grande compra. Oxalá a dita seja pelo menos bonita...

A Minimal

Entro numa loja acética de bom gosto subjacente, sento-me numa cadeira confortável e preparo-me para escolher uns óculos minimais. Para me ajudar na escolha tenho uma garota simpática e bonita que aconselha uma série de modelos ora caríssimos ora demodé, pergunto-me quem está a ajudar afinal e acabo por me decidir sobre uma pequena e frágil armação Dolce & Gabanna. É bonita, prima pela simplicidade de quase não se notar e acaba por encerrar uma certa elegância que me agrada.
Agora, em casa, percebo a verdadeira sensação de fragilidade que me cativou nos óculos, afinal estes não só aparentam sê-lo como também o são o que acaba por me causar inconvenientes vários como: um escorregar constante do nariz e uma sensação de leveza tal que por vezes me leva a esquece-los. Penso que é um preço a pagar pelo design, mas mesmo assim não o consigo tomar como justo!

segunda-feira, setembro 12, 2005

The Musicians 1595 Caravaggio Met

Afrontas por causas injustas

Leio no DN online: “GNR já identificou os elementos da comissão de festas de Monsaraz e apreendeu o toiro abatido ilegalmente, sábado à noite, nas festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos.”
A história repete-se este ano, os culpados do ano passado permanecem impunes e a infeliz audácia dos que proclamam tais actos continua acesa. É um círculo de afrontas á lei e de causas injustas, em que a televisão e os jornais parecem ter um grão de culpa no que toca á publicidade e á atenção que lhes prestam.
Já se desmontava o circo…

domingo, setembro 11, 2005

Síndrome de domingo á tarde

Começa a sentir-se a meados de Setembro quando o frio teima em se aconchegar nos dedos dos pés, desenvolve-se numa estranha necessidade de vestir um pijama durante o dia e culmina na adopção de estranhos hábitos Invernais, como: transporte da manta mohair do quarto para o sofá da sala ou desejo passional por chá quente.

Bomba

A querida Charlotte continua pouco agraciada pelos leitores da “Única”.
No meu tempo dizia-se que quem não gosta põe no bordo do prato mas ao que parece, hoje, quem não gosta parte a louça, insulta o garçon e ainda clama pelo chef!

Leia “Cartas” na Única de sábado passado.

terça-feira, setembro 06, 2005

“Oh my God! Charlotte said fuck!!”

Disse o meu primeiro palavrão quando tinha onze anos, e por o ter feito numa sala repleta de familiares e amigos enquanto discutia com a mãe, levei um belo de um tabefe como reprimenda. Pela humilhação ou pelos olhares escondi-me no quarto mas jurei que nunca mais voltava a proferir palavras tão feias e absurdas, aliás fiz questão de participar desta decisão ao padre que um ano mais tarde nos acompanhou as reuniões de preparação para o crisma, o qual resolveu citar-me como exemplo e (escusado será dizer que) tal facto arruinou a minha reputação por mais de meio ano.
Hoje continuo a permanecer firme ao hábito de não pensar e de não dizer. Quando me irrito recorro a desabafos: “Ahgr”, “Ohhhhhhhhh”, “aaaaiii” ou solto palavras que soam a qualquer coisa como: “raios”,“bolas”, mas nunca me sinto com vontade de abrir a boca para dizer um redondo “car****” ou um tradicional “fod****”.
Provavelmente são marcas da educação rígida que levei enquanto garota, e que nem os rebeldes e cruéis colegas de faculdade conseguiram demover, mas prefiro-a ao desgoverno da língua dos miúdos que ouço todos os dias no túnel do metro.

“I’m telling you…Charlotte said fuck!!F-U-C-K, fuck.”

segunda-feira, setembro 05, 2005

Endereço Riscado

Um leitor simpático e cortês enviou-me este convite para ingressar no espaçoso gmail. Aceitei cordialmente, criei a conta e agora, por justiça, agradeço-lhe publicamente o gesto.

Porque é que os comentários desapareceram?

Porque a maioria dos comentários que recebo e que envio seguem através de mail. É privado, limpinho, rápido e construtivo. Vá lá, não seja preguiçoso(a).

Apontamento feito crítica

Certo dia na baixa de Lisboa, entrei numa daquelas boutiques coquettes e desculpando-me com o casamento do Pedro dei-me ao luxo de escolher três belíssimas peças que levei até aos provadores e experimentei orgulhosa.
Talvez os meus vinte e poucos anos, os cabelos loiros e o metro e setenta de altura ajudem á boa apresentação, mas a verdade é que a minha imagem reflectida no espelho era simplesmente perfeita; facto que até a adorável empregada da loja realçou e exaltou ao ponto de chamar a atenção das restantes clientes nos provadores, as quais me olharam de maneira odiosa e impiedosa.
Momentos mais tarde quando cheguei á rua apercebi-me de que com a pressa tinha deixado o dossier na caixa e por ter voltado ao estabelecimento vi uma das pindéricas de olhar desdenhoso a comprar um vestido igualzinho ao meu. Juro que naquele momento tive vontade de lhe esmurrar os óculos de sol com o telemóvel, mas um encolher de ombros por parte da empregada que me atendera e o seu sorriso fizeram-me acalmar e sair com a maior serenidade possível.
“O povo português é um misto execrável de coscuvilheiros e invejosos, mas por a maioria da população ser profundamente mesquinha eu não tenho de descer ao seu nível!” pensei e lá fui, com o saco pendurado no braço e as unhas apertadas na carne.

Louise Dahl-Wolfe, Mary Jane Russell, 1950

domingo, setembro 04, 2005

Centro de Dia é alegria

Não é apenas um Centro de Dia, é um Centro de Dia, um Infantário, um Refeitório para Idosos, um Parque Infantil, um Espaço de Catequese, um Atelier de Ideias e uma casa aberta para a comunidade.
Num beco recolhido de uma aldeia coimbrã, nasceu um projecto social pensado e suportado pelos moradores que exigiam a si uma maior qualidade de vida. Assim com dinheiros de festas, romarias, quermesses, rifas, peditórios e patrocínios privados construí-se pelos braços dos homens da terra (durante os fins-de-semana) uma casa enorme que viria a sustentar no seu interior todas as actividades sociais necessárias ao bem dos que para ela contribuíram.
Quando o projecto avançou ninguém acreditou no seu sucesso. Lembro-me de ouvir alguém dizer que a freguesia não conseguiria gerir o espaço, lembro-me que se duvidou da qualidade dos serviços prestados e lembro-me até das suspeitas de posterior falta de adesão. Pois todas estas ideias pessimistas saíram malogradas e hoje, o Centro possui um Infantário repleto de bons educadores, excelentes auxiliares e muitas crianças que avivam os almoços com os idosos que aí passam os dias. Possui também um parque infantil seguro e vivo, um salão que de noite funciona como sede do grupo de jovens e sala de aula de catequese, e um pequeno autocarro de transporte para as piscinas ou auxilio aos mais velhos que não se podem deslocar.
Um pequeno caso de sucesso, conseguido pela força de gentes simples mas decididas, que ameaça virar uma “boa moda” no concelho.

Malena Mazza

French Quarter


"Someday," he said, "the lights will come back on. The music will start back up. And life will go on. And I'll have ice in my glass again." (Aqui)

sábado, setembro 03, 2005

O Bom Rebelde

Com sorte (ou sem ela, depende do ponto de vista) é possível que um dia se dê de caras com o seu melhor amigo da faculdade enfiado atrás de um balcão num bar do bairro alto. O que fazer? Primeiro ir dar um beijinho (ou apertar a mão), depois resumir os dois anos da vossa separação e por fim pedir-lhe uma bebida grátis.
“Oh André, eu hoje vou fazer o papel da “namoradinha” do barman e esperar-te até de madrugada!”

sexta-feira, setembro 02, 2005

E atacar a blogoesfera, não começa a ser trivial?

“Um dos direitos inabaláveis na blogoesfera é com certeza o direito de escrever o que bem nos apetece, portanto não vejo mal nenhum se agora tens um blog e andas por lá a falar de coisas tão triviais como ir á praia e comprar peixe para o almoço”, afirmou o Nuno.
“Parece-me que essa tua ideia subentendida merece uma resposta menos amável!” disse-lhe ríspida.
“Entendeste-me mal…”, começou ele a dizer em tom de defesa.
“Não, não entendi. Se julgas que o teu clássico blog de expressão pseudo política com laivos de erudição intelectual é merecedor de um espaço online e o meu não, estás bem enganado! Sinceramente penso que a variedade de temas, a descontracção com que os encaramos e a ligeireza de palavras são motivos bem mais aprazíveis para perder uns minutos em navegação”, argumentei já irritada.
“Talvez seja, mas a liberdade continua a salvaguardar-me o direito de atafulhar a cena-blog com pseudo intelectualidades. Pressuponho que é uma questão de escolha e não tens nada contra os que preferem esta forma arcaica de permanecer”, concluiu ele num encolher de ombros e sorriso irónico.

Boring, boring, boring

“EMMA WOODHOUSE, handsome, clever, and rich, with a comfortable home and happy disposition, seemed to unite some of the best blessings of existence; and had lived nearly twenty-one years in the world with very little to distress or vex her.”
Jane Auster in Emma

quinta-feira, setembro 01, 2005

Café, açúcar e chilli

Deslizei da cadeira, coloquei os óculos escuros no rosto e dirigi-me para a porta enquanto procurava as chaves do carro. Ao meu lado a Amanda estudava atentamente algumas pessoas que preenchiam o café, estranhei o comportamento, mas só quando entrámos no carro e fechámos as portas é que eu lhe perguntei: “Sim? O que foi aquilo?”, “Não tiveste a ligeira sensação de que todos se calaram quando nos levantámos?” questionou ela mal acreditando no que acabava de insinuar. “Oh querida, alguém nos reconheceu de alguma revista!”, argumentei eu divertida. “Oh! Achas que alguém ouviu a nossa conversa? Teria sido embaraçoso” comentou desiludida e já visivelmente envergonhada.
Eu enfiei as chaves na ignição, liguei o carro e de seguida tentei explicar-lhe: “Estás a ouvir este barulho? Ora, se eu baixar o tom da minha voz para duas notas abaixo tu consegues ouvir-me a dizer “Vai-te l*x*r”, “Quê?” perguntou ela. Eu larguei o acelerador, repeti o exemplo e acrescentei encantada: “Alguns olharam-te para as pernas, outros olharam-me para o peito, mas garanto que todos nos olharam com inveja. Admite-o!”

Lust

“Os peitos travam amizade um com o outro, travam com agrado conhecimento com uma mão estranha que os puxa para fora, os amarrota com os dedos e os lança para o cesto de papéis mais perto, mão que vem grosseiramente das cadeiras de repouso, em que os seios baloiçam suave e molemente.”

Transcrito do livro Lust de Elfriede Jelinek

Talento Procura-se

Vidros pintados de azul, peixinhos coloridos que nos espreitam a expressão de contentamento e curiosidade, gritinhos excitados de crianças que pulam e apontam para o aquário, e tons frescos que nos envolvem o corpo. Assim descrevo em parcas palavras o misto de imagens que recordo da minha última visita ao Oceanário, avivada pelo anúncio que vi no fundo do jornal de hoje: “Oceanário Procura Mascote!” em concurso de Ideias patente até dia 03 de Novembro. Pois bem! Os artistas que se cheguem á frente e consultem o regulamento na página oficial, depois bem podem apresentar os vossos cartoons ao júri de selecção e esperar pelo reconhecimento.
Eu fico-me pela divulgação. Acreditem que não me falta vontade para criar uns pinguins tipo Madagáscar numa versão menos 007, mas careço de talento para as artes do sketch e do humor...

Desperada

Fim-de-semana passado estava tão entretida com a conversa na nossa mesa de esplanada que esqueci as Desperate Housewives (imperdoável).
Primeiro fiquei triste, depois visitei a querida Charlotte e ficou tudo bem...

Idade para ter juízo

Nestas alturas eu gostava de ter um blog com um título improvável e encantador, do tipo: Tudo Menos Política! Talvez assim tivesse o privilégio de me esquivar ao comentário sobre o deplorável directo que encerrou toda a comunicação ao final da tarde de ontem…
Digo-vos apenas que abençoei três vezes a bendita tv cabo e permaneci na sala agarrada á minha Vogue enquanto bebericava um chá de ervas e ouvia música Mtv. Totalmente alienada!