segunda-feira, agosto 08, 2005

“What is a baile?”

Se o Justin fosse um daqueles skaters da capital havia de repudiar tal forma arcaica de divertimento como reforço á sua belíssima reputação de rufia. Mas como o Justin é um giríssimo químico de Boston, a coisa entra por outros meandros e acaba por se tornar em mais um tópico de leitura aos estranhos hábitos tradicionais aqui dos tugas.
Fomos ao baile. Não sei se o baile estava grande coisa, na verdade não entendo se os bailes alguma vez foram alguma coisa, mas ao entrar naquele recinto improvisado na praceta de aldeia percebi, a par do Justin, um pouco mais da felicidade básica das pessoas.
A maioria era simples, t-shirts baratas, ténis de marca, jeans da Zara sorrisos imperfeitos…mas muita alegria para distribuir neste canto dos casados ou ali no canto dos solteiros. Vislumbrava-se: a mãe com o bebé, a namorada com o apetecido amante, o Zéze Camarinha versão rústica, o velhote do rebato, o jovem da DT50, a adolescente entediada e a adolescente divertida. Todos unidos em prol de relações familiares, de amizade ou gosto em apreciar uma musiquinha ritmada do tipo “És tão boa, és tão boa”…Perdoamos-lhes! Façam lá favor de ser felizes para mostrar aqui aos Yankees que a malta da Póvoa do Pinheiro ainda dá um pezinho de dança para ajudar a Santa padroeira lá dá aldeia e as suas próprias ligações em sociedade.

“Aquela gaja dança como uma p+ta! E olhem para aqueles sapatos, será que vai para algum casamento?”…Sim, sim…odeio aquela sensação de alienamento face ao ambiente em que me insiro. Mas a noite foi-se revelando em verdadeira catadupa de imprevisto e quando eu saí de casa (com o Mike) pensava que pela frente só tinha uma belo prato de Chus & Ceballos servido numa recondida mesa algures no meio de um ninho de cobras. Roupa de guerra, percebem?