sexta-feira, agosto 19, 2005

Os Verdes!

A tia (e madrinha) Alice vive numa daquelas aldeias escondidas algures entre os pinheiros da serra e a prata do rio Mondego. Ontem enquanto tomávamos chá no alpendre da varanda com vista para as escarpas do monte, perguntei-lhe como ia a vida de viúva e a solidão do lugar; disse-me que sentia falta do tio António, disse que a Carminha a visitava poucas vezes e que o Henrique ainda estava em Londres a acabar “aquelas coisas da universidade”. Mas na voz sentia-se um ligeiro ressentimento pela condição a que se via confinada, que não conseguiu disfarçar nem com os olhos risonhos que sempre lhe conheci.
No fim do chá (de cidreira, se faz favor) ajudei-a a arrumar a loiça na máquina e perguntei-lhe onde enfiava a minha revista inútil, “põe ali no caixote” disse-me a titi com aquela agradável sorriso paciente. Eu olhei-a confusa e perguntei “Mas oh tia, não tem um sítio para guardar o papel? Não faz reciclagem? Olhe que até a avó Matilde anda a separar o lixo todo!”, ao que ela me respondeu prontamente “Oh filha só temos um vidrão. Já tentei falar com o presidente da Junta de Freguesia para ver se ele nos apronta também um caixote para embalagens e um papelão, mas o homem diz que não há fundos, não há meios…é uma tristeza!”

É uma tristeza sim senhor! É uma tristeza, quando ao mesmo tempo em que somos bombardeados por campanhas várias para consciencialização e formação quanto a um ambiente mais saudável e puro, algumas pessoas continuam privadas do seu direito de ajudar e contribuir para essa meio mais salutar.