quarta-feira, agosto 31, 2005

Descobertas Extraordinárias

Cacao. Potato. Apple

Leio na Vogue de Setembro:

“As 10 colecções de onde deve escolher pelo menos uma peça.
1.Balenciaga por Nicolas Guesquière.
2.Dolce & Gabbana.
3.Lanvin por Alber Elbaz.
4.Comme des Garçons por Rei Kawakubo.
5.Burberry por Christopher Bailey.
6.Rochas por Olivier Theyskens.
7.Yves Saint Laurent Rive Gauche por Stefano Pilati
8.Prada
9.Louis Vuitton por Marc Jacobs.
10.Alexander Mcqueen.”

Quando acabei de ler a lista levantei uma sobrancelha e murmurei para comigo “Zara por Inditex Group, não?...Yeah right!”

Beach (Boys) fora de época

Acordar de manhã, beber um copo de leite gelado e correr escada a baixo para não chegar atrasada ao trabalho, são trechos habituais do meu quotidiano frenático. No entanto hoje, miracolosamente, acordei “com as galinhas” e tive tempo até para ligar a tv e assistir ás notícias do dia.
Na RTP1 falou-se de New Orleans, George W. Bush e…Beach Boys?! Sim, sim, lá estavam eles, barrigudos e calvos, invergando enormes camisas havainas e uma voz estridente que repetia “Everybody's gone surfin'. Surfin' U.S.A”.
Sabe-se lá porquê deu-se uma reviravolta gastrica no meu estomago e achei por bem desligar o televisor, pegar na mala e sair para o estacionamento “Beach Boys decadentes!? A esta hora da madrugada? Poupem-me! Mais parecem os Pixies no Super Bock Super Rock do ano passado…enfim, dispenso e não recomendo!”.

Vamos lá recordar os Boys com estilo:

terça-feira, agosto 30, 2005

Expresso Oriente na cabeceira.

Embrenho-me durante horas pelos corredores atafulhados da biblioteca. Normalmente tenho uma ideia bem clara dos livros que procuro…mas porque o imprevisível é por vezes delicioso, também dou comigo, como se estivesse em alguma livraria, a pesquisar cada estante em busca de um autor desconhecido ou de uma contra-capa apetitosa.
Desta vez, a curiosidade guiou-me até ao destaque dos livros policiais. “Agatha Christie? Mas porque não?!”. De seguida esmiucei cada livro com os olhos atentos e acabei por escolher o único título que me dizia alguma coisa : “Crime no Expresso Oriente. Este não é aquele filme…com o Sean Connery?!Hum…”. Trouxe-o.
Bem. Adorei-o! Senhores criou-se uma nova fã…que venham as restantes 299 obras da autora ao meu regaço!

Que isto fique BEM esclarecido.

Eu não gosto de Franz Ferdinand!

Carnaval em Nothing Hill

Numa rua apinhada de gente, com cerca de oito amigos á volta, o Pete pegou na lata avermelhada e pintou-me os cabelos habitualmente loiros e lustrosos com uma pasta rubi altamente tóxica e de aspecto pastoso. Praguejei, contorci-me… mas quando vi o meu aspecto irrisório e desconcertado reflectido no vidro espelho de uma montra em Nothing Hill, não consegui deixar de soltar uma gargalhada apetecida e comentar “Com este vestido verde-alface e este cabelo punk pareço mesmo a maça da Branca de Neve. Que linda que eu estou!”.
A noite já havia começado a cair, no entanto o ar permanecia abafado e suado pela dança frenética daqueles que invadiam a rua na parada menos British da Grã-bretanha: o Carnaval de Nothing Hill, tão impuro e promíscuo como grandioso e afamado…

Ontem, dia 29 de Agosto, acabou o desfile deste ano, certamente que os atentados, o grande papão do terrorismo e mesmo as más-línguas da imprensa não conseguiram demover os sequiosos londrinos (e turistas) de mais uma frenética festarola pelas ruelas do bairro chique.

sexta-feira, agosto 26, 2005

DNA de hoje traz-nos a habitual Rita Barata Silvério e Kaiser Chiefs.

Rititi deambula com o seu peculiar humor através das festas em honra de nossas senhoras hispânicas. Kaiser Chiefs, em entrevista, estreiam-se na crítica musical aos álbuns portugueses do momento: elevam Blind Zero dizendo-os capazes de abarrotar estádios, arrasam com Plaza ou The Gift, e elogiam vivamente Old Jerusalém, bem como “Maria Albertina” dos Humanos, sobre a qual se diz “Adoro-a, brilhante. Adoro o facto de nunca ter sido gravada ou interpretada e, 20 anos depois, alguém encontra-a, grava-a e é a canção mais popular do ano em Portugal.”.
É por estas e por outras páginas que o DNA se recomenda.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Melissa P.

Pele alva, cabelos escuros, olhos curiosos e uma perversão intrínseca. Assim é Melissa P., ou pelo menos assim a conheci através da narração desapurada das suas muitas aventuras sexuais descritas e pormenorizadas nas páginas do seu primeiro livro: “100 colpi di spazzola prima di andare a dormire” (“Escovei o cabelo 100 vezes antes de me deitar” pela editora Teorema). Agora com “L'odore del tuo respiro”, recentemente lançado em Itália e ainda sem tradução portuguesa, pretende reafirmar o seu potencial literário, bem como uma sensibilidade inata sobre os caprichos do desejo.
Aguardo expectante.

Fotografia de Gabriele Rigon

Honey kissy huggy lovey

Bisous para os meus 23 leitores

Unpacking

Antes de desfazer as malas, corro até á cozinha, preparo um chá preto bem forte e sento-me sobre o sofá da sala com o computador empoleirado nos joelhos, pronta para a minha ronda diária sobre a imprensa nacional e internacional. Nada de novo. No DN leio: “Fogos dão ao País visibilidade nos media europeus”. No New York Times escrevem: “The pilot of a German helicopter, police officer Kai Uwe Matz, said he had never seen fires like the ones he was fighting in rugged central Portugal.”.
Ao que parece não é apenas a imprensa europeia que dá nota do sucedido...

quarta-feira, agosto 24, 2005

Packing

“Primeiro a toalha de praia, depois os jeans, depois os tops…só depois o bikini, a roupa interior e os resto das tralhas…Primeiro a toalha de praia, depois os jeans…” repito a frase mentalmente enquanto arrumo os meus haveres na mala, cada vez mais confusa, cada vez mais atafulhada e visivelmente pequena para tanta tralha. É que para além da roupa que trouxe de casa ainda acrescento a roupa ligeira que entretanto comprei por aqui e algumas inutilidades que fui coleccionando ao longo da estada, como: cremes, bijutarias, revistas, flip-folps, pareos e ainda um repelente de mosquitos (porque raio é que eu comprei isto?) em tamanho voyage.
O que é certo é que nem com tamanho afinco a mala foi capaz de suportar tal carga, por isso tive de ir chorar á mãe para ela me emprestar um daqueles sacos que não usa, e acabar de arrumar as coisas, pior vai ser encontrar espaço para elas em Lisboa…Bem! Alguma coisa se há-de arranjar.

Agora é tempo de tomar um duche fresco, vestir um trapinho festivo e sair com a Rutra, a minha nova amizade de férias, para um restaurante bem perto do areal na derradeira noite de Figueira folia. Salve!

Pedro Paixão tem “Saudades de Nova Iorque”

Por conhecer o meu carácter facilmente entediado, peguei numa saco cheio de folhas e fui até a praia. Tinha comigo uma revista, uma sebenta de fotocópias de trabalho e um livro que ainda não acabara. Foi este último que me prendeu a atenção durante a manhã fresca de mar, areia e descanso, e foi também este que me fez rodopiar num turbilhão de memórias boas á volta de uma cidade querida.
Belo momento para encerrar estes dias de férias…

terça-feira, agosto 23, 2005

Ostentação A4

A propósito do plano da Comissão Europeia para alterar os impostos sobre o automóvel – a fim de se conseguir uma maior homogeneidade – O Expresso de sábado passado divulgou a tabela dos dez modelos mais vendidos em Portugal.
Depois de consultar a dita tabela atrevo-me a dizer “mais escandalosa que a carga fiscal, só mesmo a escolha”, já que o Audi A4 e o Seat Ibiza continuam a vender e bem.
Pois ainda ninguém avisou o vizinho de que o A4 já era? Devia fazê-lo, sob pena de Portugal vir a ser notícia em Bruxelas, não pelos preços em 40% mais caros, mas sim pelo gosto, em 80% mais pindérico.

Bom dia alegria

“Só acordaste agora?!!”
“Só me levantei da cama agora…é diferente.”

segunda-feira, agosto 22, 2005

Pérolas e Gracias

Porque a blogoesfera se constrói através da partilha, discussão e reconhecimento. Aqui fica um singelo agradecimento á querida Diva pelo apoio ás “obras” na casa.

Coimbra arde!

Cenário dantesco, cidade pintada de rubro fruto do medo e do pânico de uma noite sem dormir. Algumas pessoas comentam a desgraça em voz alta nos autocarros, ouvi-as quando voltava da baixa e não gostei de lhes ver os olhos raiados de desilusão. Será que ainda alguém acredita? Parece que não…esta guerra interna toca a todos e hoje, ver a minha cidade engolida pelo fumo e fogo quase me fez correr até casa para pegar em baldes de água e ajudar aquelas gentes. É exasperante!

Catch me, baby. If you can!

Mr. Tom Hanks enfiado num smoking de talhe démodé, usando uns óculos pretos e um chapéu extremamente kinky protagonizou a personagem mais adorável da trama. Estatuto esse que estava obviamente reservado ao talentoso Frank W. Abagnale, mas a quem a medíocre interpretação de Leonardo Dicaprio não consegui atribuir mais que “cute!”.
Um erro de casting que poderia ter sido ultrapassado com uma selecção tipo Sophia Coppola e um achado á imagem e semelhança de Scarlett Johansson…Porque as massas consomem rápido e porque Leonardo e Cruise já passaram o seu prazo de validade algures na viragem do milénio, Steven S. deveria repensar as suas escolhas!

Correspondente em Paredes de Coura III

Dificuldades de comunicação impediram-nos o contacto com o enviado especial em Paredes de Coura. Agora, após uns merecidos dias de descanso e ainda de sorriso pueril no rosto, ele quis dar-nos o seu parecer:
"Muito bom ambiente, poucos djambés, alguns silêncios. Totalmente diferente do festival convencional…e ainda bem (na minha opinião).
No melhor espaço físico para festivais, o minho-alface-verde, desenrolou-se um festival pouco comercial, mais alternativo, talvez de uma faixa etária um pouco mais elevada, onde o factor música esteve sempre acima de qualquer outro factor.
Para mim as tardes começavam sereníssimas no jazz na relva junto ao rio, ou no palco songwrighters. As idas a vila faziam-se quase sempre entre as 12h e as 16h para reabastecer. Houve respeito. Um clima, óptimo (pena as 9h da manha já ninguém dormir p causa das tendas saunas).
Os melhores: Arcade Fire foi edílico; Whoven Hand, intenso; Alasdair, singelo; The National...surpresa. Os piores: Juliette-claudisabel-hollywood-rock fm; Bravery, muita fantochada em som produzido...e atenção aos !!!, grande festa...
Por fim, acho q foi o festival mais equilibrado a nível musical. Onde as pessoas em momento algum procuraram desrespeitar o gosto musical dos outros já que também era um grupo muito homogéneo, de bom gosto!...Excelente!"

domingo, agosto 21, 2005

Bicicleta branca colorida

Os confins da garagem sempre foram povoados pelos mais diversos especímenes de aracnídeos. Aqui na minha terra natal parece que existe uma praga viva de tais bichinhos e hoje, quando me aventurei a tirar a velha bicicleta do suporte dos fundos, vi o meu braço invadido pela presença extremamente indesejada de uma aranha preta peluda e horrenda…Gritei, sacudi-me compulsivamente, e ainda a pular como uma tola, fui até á cozinha chamar a mãe para me ajudar.
A mãe lá foi, e passados minutos eu já me encontrava na porta da garagem, junto ao jardim, a limpar todo o pó e teias acumulados ao longo de (talvez) seis anos de repouso. Depois subi para o selim, aconcheguei as mãos no volante branco lascado e preparei-me, qual Brigitte Bardot, para uma tour até á loja da Ju.
Pelo caminho, o vento no cabelo, o riso espontâneo quando desci a ladeira íngreme do fim do lugar, o meu lenço laranja a esvoaçar ao sabor da brisa e a alegria simples de me sentir plenamente feliz fizeram-me acreditar na diversão singela de um momento idílico…Só lamento a impossibilidade de guardar este instante numa caixinha hermética em cartão colorido...

Ontem fartei-me de procurar o Anarcoconservador pelas ruas da Figueira da Foz…e nada!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Suave maresia

A cor do mar espelha o tom do meu âmago. Azul calmo e sereno, raiado de branco puro e tranquilo…Não posso imaginar-me sem mar, sem o ver, sem lhe sentir o odor agre de sal, sem lhe tocar a brisa pesada e amorfa; mas posso certamente imagina-lo sempre imperturbável e estável na sua ínfima beleza póstuma de grande força atenuada.
Por vezes apanho-lhe réstias daquilo que é, como naqueles dia de enchente na praia, em que mal lhe vejo a cor debaixo da mescla humana. Outras vezes, por desígnios da noite, não sou capaz de lhe distinguir as formas obscurecidas. Outras vezes ainda, não o tenho porque estou longe ou fechada, não o sinto porque sou amarga e dorida…e estes sim, são os instantes em que mais o anseio a escorrer de entre os meus dedos humedecidos.

Os Verdes!

A tia (e madrinha) Alice vive numa daquelas aldeias escondidas algures entre os pinheiros da serra e a prata do rio Mondego. Ontem enquanto tomávamos chá no alpendre da varanda com vista para as escarpas do monte, perguntei-lhe como ia a vida de viúva e a solidão do lugar; disse-me que sentia falta do tio António, disse que a Carminha a visitava poucas vezes e que o Henrique ainda estava em Londres a acabar “aquelas coisas da universidade”. Mas na voz sentia-se um ligeiro ressentimento pela condição a que se via confinada, que não conseguiu disfarçar nem com os olhos risonhos que sempre lhe conheci.
No fim do chá (de cidreira, se faz favor) ajudei-a a arrumar a loiça na máquina e perguntei-lhe onde enfiava a minha revista inútil, “põe ali no caixote” disse-me a titi com aquela agradável sorriso paciente. Eu olhei-a confusa e perguntei “Mas oh tia, não tem um sítio para guardar o papel? Não faz reciclagem? Olhe que até a avó Matilde anda a separar o lixo todo!”, ao que ela me respondeu prontamente “Oh filha só temos um vidrão. Já tentei falar com o presidente da Junta de Freguesia para ver se ele nos apronta também um caixote para embalagens e um papelão, mas o homem diz que não há fundos, não há meios…é uma tristeza!”

É uma tristeza sim senhor! É uma tristeza, quando ao mesmo tempo em que somos bombardeados por campanhas várias para consciencialização e formação quanto a um ambiente mais saudável e puro, algumas pessoas continuam privadas do seu direito de ajudar e contribuir para essa meio mais salutar.

Polly Jean H.

Sometimes I can see for miles/Through water and fire/From England to America/I feel life met my eyes/And it’s the best thing/A beautiful feeling/A smile from San Diego/He is still a boy/Two ends to every rainbow/And a train from Mexico/And he’s the best thing/A beautiful feeling/And when I watch you move/And I can’t think straight/And I am silenced/And I can't think straight/It's the best thing/Such a beautiful feeling/Beautiful feling

quinta-feira, agosto 18, 2005

Dear, dear Stella

Rejubilo de prazer a cada dentada no apetitoso hambúrguer de aspecto grosseiro e gorduroso. Nada de que me orgulhe, mas inegavelmente, uma maneira altamente radical de começar mais uma tarde despreocupada de férias.
Para me redimir de tão pecaminosa refeição, resolvo purificar o espírito com imagens divinas de fatos de treino altamente qualificados para umas horinhas de treino semanal no ginásio. Talvez a Stella McCartney, com a nova linha de vestimentas fashion para a Adidas, consiga convencer-me a frequentar as aulas de GAP com mais regularidade, aliás, se a moça talentosa conseguir tal proeza sou bem capaz de enviar um testimonial de agradecimento.

PS. Na linha, apenas critico a tradicional insistência nos tons arroxeados e beges. Por favor, alguém diga á jovem que existem outras cores a explorar!

quarta-feira, agosto 17, 2005

Um país a arder

A mãe tem uma maneira muito peculiar de analisar cada peça da actualidade. Hoje com um sorriso sarcástico, depois de mais um gole de vinho, disse-me: “Cá para mim é a oposição. A oposição é que anda por aí a atear fogos…”.
E não é que ela tem muita razão!?

Correspondente em Paredes de Coura II

“O vocalista dos Kaiser Chiefs pulou tanto que acabou por se estatelar no palco a meio de Everyday I Love You Less & Less…Eu estava mais ou mais a meio do recinto e até pensei que a queda fazia parte do espectáculo, é que o gajo ficou deitado mas não parou de cantar…Depois enrolaram-lhe o pé com fita-cola e o concerto não durou muito porque ele estava cheio de dores**”

Oh tia, o que é a Internet?

terça-feira, agosto 16, 2005

Pois, não sei...

Enquanto lia o divertido desabafo da deliciosa Diva, senti uma abrupta e avassaladora vontade de pintar (também) o meu blog em tons de bronze verão.
Escolho um amarelo chupa-chupa tipo Charlotte, ou um amarelo alaranjado versão Gold?


Indlekofer + Knoepfel

Supa Mom

“Achas que eu tenho ar de babysitter?” pergunto-lhe com um sorriso nos lábios, “Bem, com esse pólo cor-de-rosa e esses brinquinhos da Parfois, eu diria que sim!” responde ela naquele tom arrogante á Ricardo Araújo Pereira, “É claro que fico com o garoto! Adoro este meu sobrinho…” dizendo isto abraço-o e prometo “Vamos pá praia todos os dias, se quiseres vamos também á piscina e ao cinema!”

Este ano, a Luísa não conseguiu conciliar as férias com a pausa escolar do Diogo. Colocá-lo num “Tempos livres de Verão” foi impossível, visto que outros pais já se haviam lembrado de inscrever os garotos muito antes do Carnaval, então a solução prática e agradável foi deixa-lo com a tia “que faz as vontades todas”.
Outras mães e pais não terão a mesma facilidade. Pergunto-me como conseguirão resolver estes e outros problemas…Talvez os títulos Super-mãe e Super-pai não sejam assim tão pirosos…

Vintage... Hum?

Correspondente em Paredes de Coura

“Em 2003 sentia-se mais pessoal, mas o ambiente está muito bom. Vemos muitos espanhóis, muitas tendas, pouca roupa, bons bronzeados…Daqui a pouco vou á Vila carregar o telemóvel, ligo-te durante o concerto de Kaiser Chiefs. Se mudares de ideias podes aparecer, nem precisas de trazer tenda =)”

segunda-feira, agosto 15, 2005

Kaiser Chiefs

Mas porque é que eu gosto de miúdos britânicos de cabelo á Beatles e camisolas ás risquinhas? Deve ser pela música…claro que é pela música!


Kaiser Chiefs amanhã em Paredes de Coura!

(Eu não vou! Tendas fétidas, pó, imperiais mornas e ténis malcheirosos não fazem, certamente, o meu ideal de diversão)

As coisas vão mal…

…quando até o (hipoteticamente) respeitável Presidente da República decide condecorar o vocalista de uma banda pop moribunda!


U2

Silicone Movements

Ontem, uma das discotecas da Figueira da Foz recebeu os enérgicos Silicone Soul e emprestou diversão á amálgama de gentes que frequentava o espaço. Imensa gente gira, muitos miúdos betos, algumas pessoas de estilo bizarro e eu e o Mike, a rebentarmos com a média de idades.

Hoje, depois de dormir umas escassas quatro horas, tomei um pequeno-almoço chorudo e vi-me invadida por imagens várias dessa noite: um miúdo que não deveria ter mais de 14 anos a quem segredei “Tu não devias estar aqui”, um conhecido que se encavalitou em cima de um balcão de tijolo e tentou esboçar aquilo que parecia ser uma coreografia da aeróbica, um miúdo giro de t-shirt amarela que afinal não dava uma pá caixa, um dj cálido de cabelos loiros leitosos e olhos pequeninos vazios, uma garota de toilette preta que insistia em centrar todos os olhares na maneira (francamente) sexual de movimentar os quadris, e a cara do garoto do pólo cor-de-rosa, totalmente invadido por uma injecção de álcool ao cérebro.

Não se pode dizer que fosse cenário idílico…mas a musica até estava boa!

domingo, agosto 14, 2005

A Persistência do acaso

Conheci o André numa daquelas casualidades bizarras. Assim como nos conhecemos, também nos afastámos, e por motivos que ambos ignoramos o contacto perdeu-se.
Hoje, enquanto acordava e dava uma vistinha de olhos sobre alguns blogs habituais, descobri, por mero acaso, o seu desassossegado espaço e mais uma vez deliciei-me com aqueles belíssimos sketches de algibeira…
Vale a pena visitar: A Persistência do Traço


André Rocha

Pois claro que vou!

Oh por favor deixem-me saborear este momento…
Sigur Rós no Coliseu dos Recreios, dia 20 de Novembro...

Sábado calmo

Inclinei-me sobre a banca de jornais, puxei o meu habitual Expresso e por curiosidade, peguei também no Público. Eram dez da manha e eu ainda tinha tempo para uma vista de olhos sobre as maquinas fotográficas…sim, se me despachasse ainda podia passar pelo supermercado para comprar peixe.
Na secção de maquinas digitais estava a Daniela, velha conhecida, aproximou-se para me dar dois beijinhos e dizer “Olá” mas acabou á roda do mostrador comigo a ver se descobríamos uma objectiva capaz de substituir a minha antiga e altamente esmurrada P-10. “Sinceramente, aconselho-te uma destas Cannon…Vê bem as tuas fotografias, merecem mais que uma P-200!!” “Oh Daniela tu queres-me vender uma maquina de 1000 euros? Oh filhota…” argumentei eu desalentada “Só acho que tu podias comprar uma destas…são muito melhores e tu tens fotografias tão giras, imagina o que farias…” atacou ela com um sorriso nos lábios “Está fora de questão! É muito cara. Além disso é enorme, como é que eu enfio isso no bolso detrás dos jeans?” disse eu já a rir.
A verdade é que eu não queria gastar dinheiro nenhum numa câmara nova. A minha P-10, antes de avariar, funcionava na perfeição e para ser sincera, nunca me desiludiu quanto á qualidade de imagem. Também admito que ouvi inúmeras criticas quanto á autonomia da mesma, os meus amiguinhos amadores, numa época em que se vive uma enorme massificação do hobbie, tentavam fazer-me entender que as velhinhas eram mais divertidas, mas eu orgulhava-me imenso da “minha bicha” e por mais que procurasse uma nova “pet” não era capaz de me separar dos momentos vividos com a outra nas mãos.
A separação acabou por ocorrer forçosa e abrupta numa época completamente desfavorável…Pois não sei quando terei fotografias novas! Quem sabe se não pego na Olympus analógica do pai…



Maria

sábado, agosto 13, 2005

LiveStrong

Ainda com o sal no corpo, atravessei a marginal e explorei meia dúzia de lojas cubiculares. A maioria vendia bikinis, toalhas de praia, souvenirs, bonés e imensa quinquilharia inútil; mas numa dessas pequenas lojas encontrei também uma resma gorducha de pulseiras de plástico coloridas, e curiosa aproximei-me para verificar a dúvida que me assolara de súbito. “Não pode ser!” pensei, mas a verdade é que tinha na minha mão uma singela e flácida pulseira amarela com as seguintes letras gravadas “LIVESTRONG”! Uma perfeita e conspurcada imitação da famosa bracelete apadrinhada por Lance Armstrong, criada a fim de angariar fundos e solidariedade suficientes para combater o pesadelo cancro.
No entanto, ali nas minhas mãos, estava também uma imitação barata (0.50€) que permitia angariar fundos e indiferença suficientes para alimentar a vergonhosa exploração laboral que sofrem os trabalhadores chineses. Tudo em prol de uma moda com sentido…que surpreendentemente, deixou de ter senso!

quinta-feira, agosto 11, 2005

Porquê ler (isto) hoje?

Afoguei-me na leitura light de mais um revista de moda e descurei o pequeno livro que tinha trazido na sacola. Na verdade eu já sabia que tal iria acontecer, mas a esperança vã de finalmente acabar este execrável pseudo filosófico, fez-me carrega-lo até á praia, como que para me obrigar a passar os olhos sobre o mesmo…Não consegui, ao virar mais uma página sobre o materialismo e a sua analogia com o demo, enterrei o livro na areia e coloquei um headphone em cada orelha. “Quem sabe se o fiel Chet Baker não me descontrai!”.

Metrosensuais

- Olá amor! Onde estás?
- Hum…numa praia deserta. Tu?
- Bem, eu estou numa praia quase deserta, tremendamente aborrecida. Enfim, suspiro pela tua companhia…Foste ao Sudoeste?
- Claro!
- Não foste nada
- Fui pois, tirei fotos e tudo, logo envio-te uma ou duas…
- Quero todas!
- Ahahahha
- Quero ver-te moreno e apetitoso…
- Estou mesmo moreno…agora sem pêlos no peito nem nada…
- Sem pêlos no peito? Desde quando é que fazes a depilação?
- Desde este Verão. Veet for men…
- Isso é tão metrosexual!
- Eu gosto
- Eu também vou gostar…

Quando surgiu o movimento David Beckham com os seus diamantes, o seu verniz cor-de-rosa para as unhas dos pés e a ínfima ausência de pelinhos metediços, muitos foram os homens másculos que se insurgiram em defesa da classe e apelidaram tais práticas como “paneleirices”. No entanto as miúdas acharam piada. Forraram-se revistas com inúmeras matérias sobre os apelativos e recém apelidados “metrosexuais”, escreveram-se artigos sobre tratamentos e cremes masculinos, deu-se destaque aos novos produtos de skincare for men e cuidar da imagem tornou-se hábito.
Agora a moda bate-me a porta! Noto-a quando entro numa discoteca, quando rondo um bar com o olhar ou quando me deixo inebriar pelo perfume agradável do jovem que se senta a meu lado no metro. Noto-a e aprecio-a (ignoramos pois, os exageros)!


Takay

terça-feira, agosto 09, 2005

Maria Bonita

Parece-me que acabamos por não nos encontrar! Ele julga-se capaz de me convencer a ir até á casa da Costa, eu penso que essa tentativa é totalmente vã e reafirmo a minha vontade de o agarrar algures entre o guarda-vestidos e o puff no quarto da Cidade. Não sei porque continuamos a discutir com tão acérrima teimosia, mas desconfio que este desacordo só pode ser mau pressagio…é que as coisas iam bem, do tipo pequenos-almoços na cama, almoços esquecidos, tardes nos lençóis e noites com os amigos, mas agora que ele exigiu uma espécie de troca e a coisa ficou feia. “Eu fui o ultimo a ir aí” disse-me ele desalentado, “oh por favor, não sejas dramático, são só 24klm!” argumentei eu já sem pinta de paciência.
Paciência! Parece-me que amanha vou outra vez para a praia, menos mal…ás tantas até o encontro por lá, mas sinceramente preferia não encontrar. Talvez ele até tenha razão “Já não tens interesse”...


Anoushka Fisz

"Ceballos, quiero un hijo tuyo!"

Maria, fotógrafa claramente amadora!

segunda-feira, agosto 08, 2005

“What is a baile?”

Se o Justin fosse um daqueles skaters da capital havia de repudiar tal forma arcaica de divertimento como reforço á sua belíssima reputação de rufia. Mas como o Justin é um giríssimo químico de Boston, a coisa entra por outros meandros e acaba por se tornar em mais um tópico de leitura aos estranhos hábitos tradicionais aqui dos tugas.
Fomos ao baile. Não sei se o baile estava grande coisa, na verdade não entendo se os bailes alguma vez foram alguma coisa, mas ao entrar naquele recinto improvisado na praceta de aldeia percebi, a par do Justin, um pouco mais da felicidade básica das pessoas.
A maioria era simples, t-shirts baratas, ténis de marca, jeans da Zara sorrisos imperfeitos…mas muita alegria para distribuir neste canto dos casados ou ali no canto dos solteiros. Vislumbrava-se: a mãe com o bebé, a namorada com o apetecido amante, o Zéze Camarinha versão rústica, o velhote do rebato, o jovem da DT50, a adolescente entediada e a adolescente divertida. Todos unidos em prol de relações familiares, de amizade ou gosto em apreciar uma musiquinha ritmada do tipo “És tão boa, és tão boa”…Perdoamos-lhes! Façam lá favor de ser felizes para mostrar aqui aos Yankees que a malta da Póvoa do Pinheiro ainda dá um pezinho de dança para ajudar a Santa padroeira lá dá aldeia e as suas próprias ligações em sociedade.

“Aquela gaja dança como uma p+ta! E olhem para aqueles sapatos, será que vai para algum casamento?”…Sim, sim…odeio aquela sensação de alienamento face ao ambiente em que me insiro. Mas a noite foi-se revelando em verdadeira catadupa de imprevisto e quando eu saí de casa (com o Mike) pensava que pela frente só tinha uma belo prato de Chus & Ceballos servido numa recondida mesa algures no meio de um ninho de cobras. Roupa de guerra, percebem?

domingo, agosto 07, 2005

A Instrução dos Amantes

A prosa poética de Inês Pedrosa transporta-nos á beleza rubra de poemas apaixonados de Florbela ou á serenidade das letras de Sophia. Não sei se lhes vai agitar os panos da tumba para buscar essa inspiração que a mim me entrega, mas tenho a certeza de que lhes conhece e admira a obra. Talvez seja porque mistura sentimentos calados com gritos de atenção e uivos de necessidade…Talvez seja porque transmite melhor que qualquer escritora moderna o antagonismo e o buraco cada vez mais evidente no campo que divide o materialismo pós moderno e amor arcaico por alguém…Não lhe censuro a preocupação, muito menos a obsessão! Sei que dói e corrói, assistir assim calada e ainda mais quieta que ela, sem forma de expressão, á opressão dos formosos sentimentos de outrora. E porquê? Porque o egoísmo está latente na fronte de cada novo par ou debaixo dos lençóis de mais uma cama…
A Instrução dos Amantes arrebatou-me pela simplicidade irónica, quase depurada de floreados, num primeiro parágrafo introdutório que me levou a arrecadar o livro debaixo do braço, quando o peguei junto á estante de literatura portuguesa. Queria leva-lo para casa, deita-lo ao meu lado na cama e explorar-lhe o âmago como quem devora essa mesma instrução que serve como pregão a quem lhe varre o titulo com os olhos. Queria sentir-lhe a sabedoria, o truque, a dica, a frase fácil que instruísse também esta amante…
Mas o plano saiu-me logrado, á medida que me afundava na cálida trama ia apreendendo a afinidade com os momentos de um passado ou presente que não ouso assumir, bem como a semelhança de mim com aquela Ana Carolina, garota velha que “Ouvia Jazz. e “Passava horas a explicar que todos vivemos no tremendo equivoco de um dialogo de surdos, porque ninguém quer ouvir senão o eco do seus próprios solos”.
Inês tem razão: “Á geografia cabe hoje o papel tirano que dantes cabia ás famílias. Pelo menos consola pensar que há um tirano qualquer, uma força maior a moldar a maldade humana.”. Uma força que não deixe morrer esses amores épicos e tão trágicos quanto irreais…


Tamara Lempicka

sábado, agosto 06, 2005

Poção Insónia

Peguei numa chávena, enchi-a com água, coloquei-lhe dentro um saquinho de chá e atirei-a para o interior do micro ondas onde marquei uns escassos três minutos. Voltei a sentar-me sobre a cadeira que permanecia inerte no centro da cozinha e esfreguei as pálpebras numa tentativa vã de afastar todo o cansaço doloroso que se abatia sobre a minha testa. “Os óculos são um auxilio! Por favor não exageres no tempo em frente ao computador ou nas horas de leitura…” relembrei.
Era uma da manha, a noite estava escura azeviche, o som era praticamente nulo e a cada minuto rodado eu sentia-me progressivamente incapaz de adormecer. Não por minha culpa, mas porque estava um imenso calor, as últimas semanas tinham sido bastante frenéticas e o meu desejo centrava-se agora em acabar aquele livro… “Amanha durmo! Sim! Amanha! Afinal só me faltam 250 páginas...”
Peguei no meu chá preto simples, subi as escadas do hall, enrosquei-me no lençol fresco da minha cama e peguei novamente no livro: “Harry Potter estás a dar cabo de mim!”

PS Sim, acabei-o

terça-feira, agosto 02, 2005

Um (quase) conto de encantar

O cabelo loiro escorrido assentava-lhe sobre os ombros da camisola de algodão branco, um chupa-chupa rosado rodava inquieto sob os seus lábios humedecidos, a atenção dividia-se entre o murmurar inaudível da sua amiga no meio daquele autocarro excessivamente apinhado e o olhos claros que a fitavam na porta escura do prédio em frente ao semáforo onde o transito parara. Ele, o senhor do olhar interessado, era alto e alvo, de cabelos alourados e sorriso desaparecido, envergava um fato banalmente azul-escuro e uma camisa perfeitamente engomada…
“Estás a olhar para onde?” perguntou a amiga com sincera curiosidade
“Para o garoto giro!” disse-lhe a miúda de cabelos loiros, enquanto aproveitava a pausa para atirar uma risada espontânea.
“É giríssimo! Cá para mim é advogado!” retorquiu a amiga enquanto se encostava novamente no banco fétido e desconfortável do autocarro!
Nesse momento o autocarro avançou uns metros, a frontaria do edifício ficou escondida e a pobre miúda loira murmurou: “Oh! Estava a gostar deste jogo! Ele é extremamente atraente! Giríssimo…e…”
“Ele também parece ter gostado de ti” disse a amiga enquanto esboçava um sorriso e apontava para a rua.
A miúda voltou a olhar o bloco de escritórios modernos…e identificou-o, no patamar abaixo da porta. Descera, claramente, um ou dois degraus para ficar naquele raio de visão. Ela estava encantada com a afinidade…Mas antes que tivesse coragem ou falta de senso suficiente para abandonar aquele autocarro, este retomou a marcha com a abertura do círculo verde…

Escusado será dizer que ela voltou lá. Três dias depois estava sentada sobre o banco de repouso ali ao lado do bloco, batendo as solas dos ténis sobre o pavimento e espiando a porta com ânsia curiosa. Ele não saiu. Ela rabiscou uma nota num velho bilhete de metro, rezava assim: “La petit fantaisie...”



Takai