quinta-feira, julho 28, 2005

Um chá no teatro

Actor alto, alvo, de porte esguio e desajeitado…cruzava a perna com dificuldade debaixo de uma mesa demasiado baixa e puxava o fumo com a insistência e a pacatez de um verdadeiro apreciador de tabaco.
Acabara de o conhecer através de uma amiga comum, amiga essa que também se encontrava na mesa, mas já lhe denotara dois ou três defeitos odiosos, como aquele de ironizar ou ridicularizar alguém de quem não gostava, ou o outro de desembrulhar sem pedido algum sobre a imensa historia da sua vida. Talvez por isso não lhe tenha prestado muita atenção, diverti-me com a conversa que tivemos, gostei da sua cultura, da sua opinião, do seu humor…mas sinceramente, estava longe dos meus planos vir a encontra-lo todos os dias. Por isso, quando cheguei a casa e recebi a sua chamada, fiquei totalmente perplexa, não queria acreditar que ele me estava a ligar uma hora depois de nos termos despedido…muito menos acreditar nas suas palavras quando murmurou estar “apanhadinho” por mim!
Incomodada? Bastante! Lisonjeada? Não tanto como seria de esperar…afinal, 17 anos a mais em maturidade, cultura soberba, espírito animado, conhecimentos vastos e amigos fabulosos não chegaram para me aliciar… "acontece"