terça-feira, julho 12, 2005

Chemical Brother na fedorenta Doca Pescas

Espremida sobre o ar quente da multidão e dos corpos conspurcados daqueles que me envolveram, estiquei um braço num buraquinho á minha frente e tentei desesperadamente abrir uma pequena fissura no emaranhado de confusão em meu redor.
“Isto está mau” pensei, mas antes que pudesse ficar bom…um som estrondoso rasgou o burburinho da multidão e foi dado inicio ao concerto tão esperado: Chemical Brother na fedorenta Doca Pescas!
Imediatamente as gentes gritaram, imediatamente alguns pularam e sinceramente, ate eu me senti deveras contagiada pelo som pouco erudito e bastante leve daquele fabuloso duo…Quando dei por mim já estava esparramada no meio da poeira, movendo as ancas ao sabor da torrente, inclinando os braços aos jeitos do meu corpo frenético, no ambiente insano que se começava a desenrolar por todo o meu circulo. Os rapazes fechavam os olhos e fluíam o corpo ao ritmo da música enquanto puxavam o fumo de mais uma ganza pequenina. As raparigas espixavam os rabos para fora e moviam os quadris a um ritmo alucinante. Toda a gente parecia invadida de uma força transcendente e o recinto ganhou contornos de paraíso urbano!

E este foi o ponto alto da noite! De resto a organização ficou muito a desejar…Fosse pela localização do palco, fosse pela falta de ecrans gigantes, fosse pela decadência do espaço, fosse inclusive pela falta de pinheiros á vista…Só sei que as opiniões foram unânimes e injurias á parte (que eu não estou aqui para ofender ninguém) Puta que pariu…

Mas a companhia arrebatou-me o sorriso, as conversas loucas ocuparam-me os momentos mortos sem som e a fama que adquiri entre os presentes na festarola superou todas a minhas baixinhas expectativas…O meu título nobiliárquico de “Senhora” está assegurado!