sexta-feira, julho 29, 2005

Amor presente

Ele permanecia deitado sobre o amontoado de lençóis, eu sentara-me sobre a sua cintura olhando-lhe os olhos e rindo acerca de qualquer coisa idiota que ele dissera…Entretanto o telemóvel vibrou sobre a mesa-de-cabeceira, “é o teu!” disse-me, “maldito!”, dizendo isto atravessei a cama de gatas e peguei no bichinho enquanto voltei para a minha posição inicial…
Abri a tampa sem reparar em quem ligava, disse “sim?” e desfaleci imediatamente, quando senti a voz doce e arrastada do meu amor através da linha. “Onde estás?” perguntou-me ele, “na cama” murmurei enquanto rodava o indicador sobre a aureola do umbigo do outro, “a dormir?”, “mais ou menos…a preguiçar”, “tenho saudades tuas! Vem falar comigo no msn”, “não posso! Não quero”, “ah ta bem…estás com quem?”, “com ninguém” e desliguei o telemóvel.
Odiei-me pelo sentimento de divisão que senti descer-me á pele, odiei-o por sentir aquele momento, como quem adivinha e odiei sobretudo a nostalgia que não consegui controlar no momento em que desejei sair dali e refugiar-me nos braços dele, do meu amor!

1 Comments:

Blogger simao said...

esse sentimento de divisão conheço bem... ha sempre aqueles que ligam e fodem o esquema todo...
dói.

12:04 da manhã  

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